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AVBeautiful |
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Tudo começou quando a "mineiríssima de Ipatinga" , Rosaura Pires do Amaral, hoje com 43, ainda cursava psicologia. "Sempre pensei em trabalhar com um grupo de mulheres, donas de casa, mães, esposas... Aliar a psicologia a arte", lembra.
"Mudei então para um lugar muito lindo e que me faz muito bem. Me formei, tive um filho e o lado profissional ficou esquecido, mas o sonho não. Minha antiga secretária parou de trabalhar em minha casa e ai sai em busca de outra pessoa. Já fazia patchwork há uns 3 anos, mas nada parecido com o que hoje faço, pois na época não tinha acesso a Internet e muito menos contato com o mundo dos retalhos, linhas, termocolante, AVBond, AVBpaper e muito menos como Ateliê", brinca Rosaura. "Então veio trabalhar em minha casa a Neilde, prima do meu jardineiro, Valcir. Eles moram na vila próxima ao condomínio onde moro. Vi a chama de meu sonho levantar a labareda. Em julho de 2006, fiz um folder, em casa mesmo e pedi a Neilde se podia entregar as mulheres da região. Iria oferecer o curso básico de patchwork sem cobrar nada. Elas apenas teriam que investir no básico do básico e com muita simplicidade. Claro, antes de tudo fiz uma pesquisa junto a ela sobre estas mulheres, o que faziam e se achava que elas gostariam de aprender. No princípio apenas duas me ligaram, mas no dia vieram três. Mostrei meus trabalhos, falei do patchwork... No primeiro encontro falei do meu objetivo, que é ensinar, aprender, trocar. Falei que futuramente poderíamos comercializar e fazer deste trabalho uma profissão. Neste primeiro dia, entreguei cada uma, uma pasta com os noves blocos básicos que aprendi com Denise Boechat, tudo direitinho, com os moldes. Na semana seguinte já eram seis meninas.
Claro, que sempre tem uma ou outra que sai. Foi o que aconteceu com Glória, por motivos pessoais e de saúde. Meninas, todas no auge da juventude com seus 45,46,48,52,53, cada uma com sua singularidade e forma. Tem a Fátima, com seu ponto perfeitinho e delicado. Tem a Geia, que luta com agulha na mão, mas não desiste. Tem a Sandra, sorridente e sempre pronta para aprender, aliás ela faz um pão maravilhoso! Tem a Esther e seu capricho ao executar um trabalho. Mulher prendada com a arte da agulha. Tem também a Neuza, guerreira, corajosa e muito persistente. E tem eu, Rosaura, que apostei em meu sonho, nestas mulheres e na certeza que juntas faremos coisas lindas. Uma destas coisas lindas que fizemos foi a colcha florida. Precisávamos conseguir dinheiro para comprar material para o grupo. Elas escolheram o que colocar. Eu investi no material necessário, uma vez que o grupo não tinha nenhuma reserva. Comprei os tecidos e juntas fizemos do sonho uma realidade. Aplicamos todas as margaridas e tulipas à mão, com o velho e bom molde de papel e ponto invisível. Terminamos o topo da colcha e partimos para o sanduíche. Alinhavamos e começamos a quiltar à mão toda volta das flores, os pedacinhos. Dedinhos furados, reclamação, choro, tentativa de desistência.... Tudo foi contornado pelo grupo, uma ajudando a outra e dando força. Aquela que demora, a esperta ajuda. Aquela que tenta desistir, a sorridente encoraja. Aquela que chora, a sofredora consola. Aquela que está cansada a gente entende. Aquela que fala demais, faz a caladinha sorrir. Aquela que fala de menos observa e aponta algo.... E assim construímos um pouco nossa história.
O grupo ainda não está como a gente quer, mas sabemos que somos um grupo que quer fazer acontecer. Cada uma sabe de sua dificuldade e limitação, mas sabe também que pode tentar. Hoje, antes dos encontros que acontecem todas as segundas-feiras, das 14h00 às 17h00, fazemos uma avaliação da aula anterior e falamos daquilo que fizemos e de nossa semana. Isto nos fez mais forte e companheiras. Depois da primeira reunião, depois que terminamos a colcha e iríamos começar outro projeto, falamos da importância da freqüência, da seriedade e do desafio de trabalhar juntas. Ficou claro que o curso, apesar de gratuito, não significa que as coisas devam acontecer de forma relaxada. Falei de meu objetivo e de meu sonho, e mostrei o quanto eram importantes para mim, pois me deram a oportunidade de realizá-los. O que ganhei ou o que ganho com isso? Muito mais que o valor da moeda. Ganhei vida, alegria, oportunidade de assumir a profissão dentro daquilo que sempre sonhei e descobri as 'Rosauras' em cada uma delas. Tudo isto ou absolutamente nada disto teria acontecido se Deus não fizesse presente em minha vida. No fundo ele é testemunha do que eu escolhi vir fazer neste plano. Me deu mãos maravilhosas que guiadas pela sabedoria e o carinho de minha mãe Ruth, que me permitiram desenvolver essas habilidades. Me deu olhos perfeitos para conjugar as cores, força para tentar, coragem para realizar e humildade para aprender e ensinar. Mais que tudo isto, saúde e paz espiritual, sendo meus guias diários no fortalecimento do grupo. E assim estamos unindo retalhos, recebendo ajuda de longe mesmo que estas amigas sejam virtuais. Agora temos também a Vera, com seu jeito silencioso, disposta a aprender sem ter nunca pego numa agulha. E veio também a Vilma, que domina agulha, tecidos, linha." E assim, Rosaura e suas "meninas" estão provando que união, empenho e determinação são a base para transformar sonhos em realidades, aprender uma profissão, encontrar com a arte – e ser feliz! As "meninas" do AVB desejam a todas muito sucesso. Galeria das "Meninas" do Unindo Retalhos
Fotos: Rosaura Amaral/Divulgação |
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